Preservar o Sagrado com Impressão 3D

Preservar o Sagrado com Impressão 3D

A aldeia de Alijo encontrou uma forma criativa de equilibrar a preservação do património com o uso cerimonial contínuo. A estátua original de Santa Maria Maior, padroeira da localidade, datava de início do século XX e estava deteriorada pela exposição ao calor e à humidade. A madeira sofria danos constantes; inchaços e fissuras impediam o seu uso regular nas procissões do 15 de agosto.

A solução veio através da tecnologia de impressão 3D. A comissão organizadora das festividades associou-se com laboratórios de fabricação locais para criar uma réplica idêntica com 1,60 metros de altura. A nova estátua foi fabricada em PETG, um plástico escolhido pela resistência às variações de temperatura e pela durabilidade adequada ao uso externo repetido.

O processo de digitalização foi minucioso. Utilizou-se um scanner 3D com precisão de 0,1 milímetros, capturando mais de 5 milhões de pontos de dados para garantir uma reconstrução realista e detalhada. O projecto levou aproximadamente 10 semanas de impressão contínua e custou cerca de 3100 euros; um investimento justificado pela importância cultural e religiosa da peça.

O resultado é notável. A réplica é mais leve, apenas 25 quilogramas comparados aos 80 quilogramas do original. Isto facilita o transporte e o manuseamento durante as cerimónias religiosas, permitindo que a comunidade de Alijo continue a honrar a sua padroeira sem comprometer a preservação da escultura original, agora protegida no interior da igreja.

A resposta da comunidade e do clero local foi positiva. Este exemplo mostra como a impressão 3D pode ser um meio válido para a conservação de património e para a continuidade de tradições sagradas numa era tecnológica.

Fonte: Observador

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