Bioimpressão 3D: cartilagem de ouvido criada com células humanas

Bioimpressão 3D: cartilagem de ouvido criada com células humanas

Investigadores da ETH Zurich conseguiram imprimir cartilagem de ouvido funcional em laboratório, utilizando células humanas. O resultado, obtido após mais de uma década de investigação, representa um passo concreto em direção à medicina regenerativa.

Como funciona o processo

A equipa liderada por Philipp Fisch e pela professora Marcy Zenobi-Wong começou por recolher células de fragmentos de cartilagem provenientes de cirurgias anteriores. A partir de uma amostra de apenas 3 milímetros, foi possível multiplicar cerca de 100 mil células até centenas de milhões em solução nutritiva.

Depois de otimizar as condições do ambiente de crescimento, as células foram misturadas com uma bio-tinta, uma matriz de suporte gelatinosa, e introduzidas numa impressora 3D. O tecido resultante foi então incubado durante várias semanas com fornecimento constante de oxigénio e nutrientes.

Resultados promissores

Após 9 semanas de maturação em laboratório e 6 semanas implantado sob a pele de modelos animais, o tecido artificial demonstrou propriedades mecânicas comparáveis às da cartilagem humana natural. O material inclui colagénio tipo II e elastina, os principais componentes estruturais da cartilagem elástica.

Para quem sofre de malformações auriculares graves ou lesões, este avanço pode representar uma alternativa ao método atual de reconstrução, que implica a remoção dolorosa de cartilagem das costelas do próprio paciente.

Ainda faltam anos para a prática clínica

O processo está longe de ser aplicado em contexto hospitalar. A equipa estima que serão necessários pelo menos mais 5 anos antes de se iniciarem ensaios clínicos. Como o próprio investigador principal reconhece: "Temos vindo a trabalhar neste problema há mais de dez anos. No que diz respeito à biofabricação de tecidos, progressos rápidos são raros."

Ainda ainda, os resultados reforçam o potencial da impressão 3D aplicada à medicina. Combinar células vivas com manufatura aditiva abre possibilidades concretas para tratamentos personalizados que hoje exigem procedimentos mais invasivos.

Fonte: 3DNatives

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